Tomar consciência das coisas trás um grande sofrimento.
Saudade do tempo em que eu não me preocupava com as coisas, tudo bem acordar e comer pão Francês com leite condensado, porque achava que aquilo não me faria engordar, e além do mais tal preocupação nem me passava pela cabeça.
Saudade do tempo em que usava jaqueta jeans em tom de preto e calça jeans em tom de azul, e tudo bem, por nem saber o que as pessoas estariam falando em revistas de moda.
Saudade ainda das inúmeras vezes que não me dava ao trabalho de agradar pessoas de outras tribos, porque só interessava a minha, então não precisava ser simpática, e não me preocupava com isso também.
Depois de certo tempo, a gente começa a ter aquele sentimento de que nada basta, nunca estamos bonitas o suficiente, não lemos o número de livros que deveríamos, e não fomos capazes de manter vínculos com as pessoas que amamos.
Começa a dar uma tristeza, ver que erramos o tempo todo em quase tudo.
Não falamos às coisas que eram importantes para o outro, não fomos capazes de nos desvincular de nossos traumas, e também não pudemos amar e nem ser amada.
Já não somos tão jovens, e este sentimento de que não bastamos tende a crescer, acompanhado de mil exigências, do aspecto cultural, intelectual e pessoal, que fazemos a nós mesmos.
Daí tudo parece ruim, neste momento as paredes daquilo que parece segurança começam a ruir e ficamos a um passo do adoecimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário