Maio é considerado em nossa cultura o mês das noivas e das mães. Estranhamente fiquei pensando sobre a relação entre estes dois papeis da mulher. Antigamente acho que a mulher era noiva, esposa e posteriormente mãe, apesar de ninguém ter criado o mês das esposas.
Hoje está tudo tão dinâmico, as mulheres que conheço dificilmente ficam noivas de aliança no dedo, algumas nem querem ser mães e outras tantas nem sabem qual estado civil pertencem mais.
Está animado viver nesta sociedade, sou do tempo em que “ficar” era moderno, mas o termo está ultrapassado, hoje as pessoas são “peguetes”, com isso achar uma noiva literalmente está uma raridade...
Os títulos podem ter mudado, mas a essência dos papeis sobrevivem, a mulher quando está apaixonada compromete-se com esse amor, é fiel e pensa em dividir sua vida, então as “noivas” ainda existem, mas sem aliança no dedo.O mesmo se dá com as mães.
Minha avó foi uma mãe que criou as filhas em casa, minha mãe foi uma mãe que nunca trabalhou e eu e minhas amigas somos mães completamente diferentes delas, com agenda cheia e tentando equilibrar as 2000 coisas que fazemos diariamente! Mas continuamos sendo mães.
Desde que o mundo é mundo a mulher gera filhos. Não gosto muito do termo maternidade, porque me dá impressão de útero que abriga alguém, enquanto maternagem remete a gerar, criar e educar filhos. Muitas mulheres não entendem o que significa maternagem, que significa amar e constituir um ser humano, chamando-o de filho.
No meio de tanta mudança, a emoção de ter um filho dentro da gente, amamentá-lo, acalentá-lo em nosso colo deve ser a mesma nas mulheres maternas, independente da mudança nos padrões culturais, enquanto apenas parir um filho para algumas mulheres também deve ser insignificantemente igual desde os primórdios.
Mudam alguns termos, o modelo de família e algumas outras coisas, mas na relação mãe e filho o amor transcende questões geracionais, assim como infelizmente o abandono em muitos casos.
Por isso não precisa de mês das noivas e nem mês das mães, e sim continuar existindo mulheres apaixonadas e capazes de exercer a maternagem.
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